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Mais de um século de história: de Therezopolis a Terê

  • 07/09/2017

Julho é o mês que marca o aniversário da “Cidade de Thereza”. Em 2017, completa 126 anos. E, como toda história, é marcada por momentos que vão de alegria e glamour aos aprendizados.

Parafraseando uma das mais belas canções da MPB, será que Therezopolis conhece a Terê? Aquela cidade, a princípio uma área de grandes proporções concedida como um presente à Imperatriz Thereza Cristina, sabia que chegaríamos até aqui, mais de um século depois, com tanta história pra contar? Sobre essa trajetória, cabe a nós relembrar alguns dos marcos que foram conduzindo a cidade até aqui onde chegamos. E ainda temos muito o que trilhar.

Importa dizer por exemplo que, hoje, Teresópolis é referência para o montanhismo nacional, por abrigar pontos pitorescos e ser a sede de parte das mais belas paisagens de que se tem notícia.

É também conhecida por seu clima fresco, bucólico e receptivo. Atrai turistas de toda parte que viajam em busca de tranquilidade e opções de gastronomia e hospedagem de qualidade. Recentemente, foi apontada por pesquisa divulgada pelo IPEA como a cidade mais segura do estado do Rio. Naturalmente, aumenta a procura dos que contam as horas para viver alguns dias sem a sombra do medo e da violência que assolam parte das cidades do país.

Uma prévia de toda a beleza que se pode esperar de Teresópolis é a própria Serra dos Órgãos – mais parece um desenho, obra-prima e divina; cuidadosamente contornada por montanhas e picos conhecidos dos esportistas mais aventureiros. E pensar que esse primeiro passeio, o da subida da serra, foi feito outrora via Estrada de Ferro. Durante quase cinquenta anos (desde 1908), era o trem que deixava os passageiros encantados com a novidade e os trabalhadores da capital, de tempos em tempos, na extinta Estação do Alto. E, depois de março de 1957, nunca mais subiu a serra o trem “para moças, flores, janelas e quintais”. Eram tempos de progresso. Eram tempos, com a ascensão da indústria automobilística, da Estrada Direta.

Assim era a Therezópolis, Cidade dos Festivais. Abrigou, durante a década de 1960 e uma parte da década de 1970, um dos eventos mais importantes do Brasil: os Festivais de Cinema. O palco e os largos corredores do Higino (hoje conhecido como Espaço Higino) já receberam os mais diversos nomes do cinema e do teatro nacional, como Oswaldo Loureiro, Joana Fomm, Fernanda Montenegro, Jece Valadão e muitos outros.

A sétima arte invadiu de tal forma a alma dos teresopolitanos que a cidade chegou a contar, em seus áureos tempos, com sete cinemas. Entre eles, o Alvorada (perto da Prefeitura Municipal), Vitória (no Parque Regadas), São Miguel (na Rua Francisco Sá) e o imponente Cine Theatro Imperio, inaugurado no final da década de 1920, em frente a Praça Baltasar da Silveira. Hoje, habitam no imaginário de quem viu e fazem falta, certamente, aos olhos de quem não viu.

Durante as últimas décadas, a cidade passou boa parte do tempo em busca de suas vocações, suas origens. A contribuição de pesquisadores e historiadores, nesse aspecto, foram mais do que valiosas. É o caso, por exemplo, dos documentaristas Leo Bittencourt e Regina Carmela.

A dupla abriu o baú de memórias de Teresópolis e trouxe à tona, com o documentário “Cidade dos Festivais” e a série “Reminiscências”, relatos e constatações que ajudam a construir a história da cidade. Segundo Leo, por exemplo, não há provas de que Thereza Cristina, a Imperatriz, tenha pisado de fato em terras teresopolitanas. “Sabemos que a Princesa Isabel esteve no Quebra Frascos e Dom Pedro II também esteve por perto da cidade, percorrendo caminhos a cavalo, possivelmente pela Serra dos Órgãos, Garrafão, aquela região”, comenta.

Para o pesquisador Wanderley Peres, responsável pelo “Pró-Memória Teresópolis”, também não é possível encontrar outro modo de narrar essa parte da história. “Ao contar sobre os primórdios do nosso município, no livro “Colonização de Teresópolis”, o conceituado escritor Gilberto Ferrez preferiu não dar certeza quanto à origem do nome Therezópolis. Historiador do IHGB, e quem melhor debruçou sobre o período de 1700 a 1900 da nossa história, o autor prefere supor apenas que a cidade seria uma homenagem à Imperatriz Thereza Cristina”, escreve o pesquisador.

Wanderley lembra, em outro relato, que carta escrita pelo imperador Dom Pedro II à imperatriz Theresa Christina fala de uma visita que o monarca fez à cidade, em 1876. “Olhando a cordilheira da Serra dos Órgãos, de seu quarto no hotel dos Órgãos, o ilustre visitante faz um esboço das montanhas à sua frente, e define o Dedo de Deus e o Frade, descrevendo a seguir, em nove páginas, o que estava vendo, dando uma ideia à esposa Teresa de como era a vila de Santo Antônio de Teresópolis. A imperatriz que deu nome à cidade já não andava bem das pernas no final daqueles anos 1870, e certamente nunca se deslumbrou com a vista soberba da Serra dos Órgãos, paisagem que só conheceu através dos traços mal feitos das "mal traçadas linhas" que o marido lhe dedicou”, conclui Wanderley.

Apesar da falta de comprovação acerca das visitas da Imperatriz à Teresópolis, o que permanece vivo é o imaginário de cada um. E nele, todas essas histórias são possíveis. Memórias. A “Cidade de Thereza”, que provavelmente de Thereza nunca foi, agora é de todos nós: teresopolitanos e visitantes, apaixonados por toda a beleza verde e o clima agradável que nos cercam. Todos os dias, independente de tudo que viveu, Teresópolis nos acolhe e nos recebe de braços abertos. Vida longa. Por mais 126 anos. E mais 126 anos.

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